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São Paulo: A Verdade Por Trás dos Direitos Econômicos das Joias de Cotia
Por Redação 1Soberano em 23/07/2025 04:12
O Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel, popularmente conhecido como Cotia, é frequentemente aclamado como um tesouro inestimável para o São Paulo Futebol Clube. Há quem o descreva como uma verdadeira ?mina de ouro?, dada a constante revelação de talentos que oxigenam o elenco profissional e geram potencial valor de mercado. Contudo, uma análise mais aprofundada da estrutura de propriedade desses jovens valores revela um cenário complexo: o Tricolor não detém a totalidade dos direitos econômicos de nenhum dos atletas promovidos diretamente de suas divisões de base para a equipe principal. Esta realidade se fundamenta em duas vertentes principais, que moldam a gestão de ativos do clube.
A primeira dessas vertentes reside na aquisição de jovens jogadores ainda em suas fases iniciais de formação, provenientes de outras agremiações. É uma prática consolidada no mercado que os clubes formadores, ao negociar seus talentos, preservem uma fatia dos direitos econômicos. Essa estratégia visa garantir uma participação futura nos lucros, beneficiando-se da projeção e valorização que a vitrine do São Paulo pode oferecer ao atleta.
Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do clube, ilustra essa dinâmica com o caso de Lucas Ferreira. Segundo ele, Lucas foi integrado ao Tricolor após sua passagem pelo Boavista, do Rio de Janeiro. Na transação inicial, o clube carioca manteve uma expressiva parcela de 40% dos direitos econômicos. Embora o São Paulo tenha buscado, posteriormente, ampliar sua porcentagem, o Boavista resistiu em ceder sua parte, demonstrando a firmeza dessa negociação. Tal procedimento é um pilar fundamental para a sustentabilidade financeira de clubes de menor porte, que enxergam na formação e subsequente venda de atletas uma de suas principais fontes de receita. Essa lógica se aplica não apenas a jogadores já próximos da transição para o profissional ou mesmo já estabelecidos, mas a todo o ecossistema do futebol de base.
A Fragmentação dos Direitos e o Papel dos Clubes Menores
O próprio Douglas Schwartzmann reitera a tese, citando outros exemplos:
?Eu tenho atletas do Ituano, que eu tenho 60%, tenho opção de comprar 20%, mas eles não abrem mão de ficar com 20%. O Ituano, o Guarani, isso é do mercado. Mesmo quando você vai comprar o jogador de meia-confecção, o clube que está com ele vai querer segurar um percentual, porque sabe que ele vale. Os clubes menores vivem disso. É o mercado?
A segunda razão para a ausência da totalidade dos direitos econômicos nas mãos do Tricolor reside nas tratativas diretamente com os próprios atletas e seus representantes. Em diversas ocasiões, quando o São Paulo busca formalizar uma extensão ou renovação de vínculo contratual, torna-se uma prática comum que uma das condições impostas pelos atletas e seus agentes seja a concessão de uma parcela dos direitos econômicos. Este cenário se intensifica, notadamente, quando os jogadores atingem a maioridade, momento em que um novo e mais abrangente contrato pode ser estabelecido.
É imperativo recordar que a FIFA permite a assinatura de um contrato profissional a partir dos 16 anos, com um limite de três anos de duração para vínculos de menores de idade.
A Influência dos Atletas e Agentes nas Negociações
A visibilidade e o desempenho de um atleta podem gerar uma pressão considerável sobre o clube para ceder parcelas de seus direitos, visando garantir a permanência e a assinatura de um novo acordo. Douglas Schwartzmann exemplifica essa dinâmica com a situação de Matheus Alves. O diretor relata que, durante a renovação contratual em janeiro, após o destaque do jogador na Copinha, a negociação se tornou uma escolha binária:
?Ou eu dava um percentual para ele ou não renovava.?
Alves já possuía 10% de seus direitos desde sua chegada ao clube. Naquele momento, ele pleiteava mais 25%, mas a negociação resultou na concessão de 5% adicionais, totalizando 15% para o atleta. Schwartzmann complementa essa visão de mercado:
?A gente traz um jogador, quando o jogador tem 14 anos, 13 anos, ele vem pra cá, a gente tem 100% quando ele faz 18. Se ele for muito acima da média, na hora que eu for renovar o contrato, o agente vai querer tirar e aí você tem uma negociação. Às vezes você consegue, às vezes você não consegue.?
Dilemas da Gestão de Talentos em Cotia
Para ilustrar a extensão dessa prática e o panorama atual, a seguir, apresentamos uma tabela detalhada dos percentuais de direitos econômicos que o São Paulo detém sobre cada um dos jovens atletas oriundos de sua base e que atualmente integram o elenco profissional .
JOGADOR | CONTRATO ATÉ | DIREITOS DO SPFC |
---|---|---|
Negrucci | 31/07/2026 | 90% |
Young | 31/12/2026 | 90% |
Belém | 31/12/2026 | 90% |
Rodriguinho | 31/12/2026 | 90% |
Luan | 31/12/2026 | 95% |
Pedro Vilhena | 31/12/2026 | 90% |
Patryck | 30/04/2027 | 85% |
Pablo Maia | 31/12/2027 | 85% |
Lucca | 30/04/2028 | 90% |
Maik | 31/05/2028 | 90% |
Lucas Ferreira | 31/07/2028 | 80% |
Ryan Francisco | 30/11/2028 | 80% |
Hugo Leonardo | 31/12/2028 | 80% |
Henrique Carmo | 31/12/2028 | 85% |
Este panorama revela um desafio constante para o São Paulo na gestão de seus ativos mais valiosos: equilibrar o investimento na formação de atletas com a necessidade de reter a maior parte do valor econômico gerado. A complexidade do mercado e as dinâmicas de negociação com clubes parceiros e os próprios jogadores exigem uma estratégia perspicaz para maximizar os retornos futuros e garantir a sustentabilidade financeira do clube a longo prazo.
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