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Conselheiros do São Paulo pedem expulsão de Dedé por irregularidades financeiras
Por Redação 1Soberano em 24/03/2026 05:37
Um grupo de membros do Conselho do São Paulo Futebol Clube formalizou uma representação junto à Comissão de Ética da agremiação, solicitando o desligamento do conselheiro vitalício e antigo responsável pela pasta social, Antônio Donizete Gonçalves, mais conhecido como Dedé. A petição aponta supostas falhas na condução do departamento social e ações que teriam prejudicado os interesses da instituição.
A iniciativa foi formalizada na noite de segunda-feira, 23, com o endosso de doze conselheiros. Informações obtidas indicam que um novo coletivo de integrantes do Conselho planeja apresentar um requerimento similar em breve. A base para essa representação reside em fatos que vieram à tona através de reportagens e processos judiciais envolvendo a empresa FGoal Eventos e Marketing, que anteriormente fornecia alimentos e bebidas no estádio Morumbis.
Investigação sobre FGoal e Movimentações Financeiras
Um dos pontos centrais levantados pelos conselheiros diz respeito à relação entre o clube e a FGoal. Em 4 de fevereiro, o São Paulo emitiu uma notificação à empresa, buscando a rescisão contratual por justa causa após a identificação de movimentações financeiras tidas como suspeitas na plataforma Zigpay, o sistema de processamento de pagamentos utilizado nas dependências do estádio.
De acordo com o clube, uma auditoria interna revelou que a empresa estava operando uma agenda financeira ligada ao sistema sem possuir autorização formal, respaldo contratual ou o conhecimento dos departamentos financeiros responsáveis. Em sua defesa, a FGoal alega ter agido com base em autorização verbal concedida por Dedé.
Na representação apresentada, os conselheiros argumentam que, durante seu período como diretor social, Dedé teria permitido a atuação da FGoal sem a devida formalização jurídica e sem submeter a questão aos órgãos competentes do clube. Os autores do documento consideram essa conduta uma falha grave de gestão, por possibilitar atividades financeiras sem contrato formal e fora dos procedimentos institucionais.
Declaração de Dedé e Ação Judicial
Adicionalmente, a representação alega que Dedé teria prestado auxílio à própria FGoal em sua disputa judicial contra o São Paulo . Os conselheiros destacam que, em 14 de março, o ex-dirigente elaborou uma declaração a pedido da empresa, na qual afirmava ter concedido autorização verbal para as movimentações financeiras na conta do São Paulo , exatamente o ponto que fundamentou a rescisão contratual por justa causa. No mesmo documento, ele teria sugerido que o departamento financeiro do clube estaria ciente das operações.
A representação sustenta que a ocorrência de operações sem contrato formal e sem transparência adequada sugere, em tese, um ambiente de gestão paralela dentro do clube. O documento também menciona tratativas informais, movimentações financeiras consideradas atípicas e a participação de outros membros do São Paulo em negociações com a empresa, o que intensifica as preocupações com a governança no período.
Inquérito Policial e Pedidos à Comissão de Ética
Outro aspecto ressaltado é a existência de um inquérito policial, instaurado em janeiro de 2026, com o objetivo de investigar possíveis irregularidades no departamento social do clube. Na perspectiva dos conselheiros, este fato, por si só, descarta a interpretação de que se tratam apenas de equívocos administrativos.
No pedido encaminhado à Comissão de Ética, os conselheiros solicitam a instauração de um procedimento formal para apurar os fatos. Entre as medidas requeridas estão a notificação de Dedé para que apresente sua defesa, a coleta de documentos internos, registros financeiros e comunicações, além da oitiva do ex-dirigente e de outros envolvidos, como membros do departamento financeiro e conselheiros mencionados no caso.
Também pedem uma investigação minuciosa das movimentações financeiras vinculadas à FGOAL, especialmente no sistema Zigpay, e esclarecimentos sobre a ausência de um contrato formal que regulamentasse a atuação da empresa. Ademais, solicitam a análise da declaração assinada por Dedé e utilizada na ação judicial contra o clube.
Penalidades e Tramitação Urgente
Ao final do processo, caso as irregularidades sejam comprovadas, os conselheiros pedem a aplicação das sanções previstas no Estatuto do Clube. Entre elas, figura a possibilidade de eliminação do quadro associativo, o que, na prática, significaria a expulsão de Dedé do clube. O documento também prevê que, caso haja indícios de ilícitos civis ou criminais, o caso seja encaminhado aos órgãos competentes.
O texto, assinado por 12 conselheiros, solicita que a tramitação seja realizada em caráter de urgência, com o argumento de que há risco à imagem, ao patrimônio e à credibilidade do São Paulo .
Próximos Passos e Decisão da Comissão de Ética
A decisão sobre a admissibilidade da representação cabe agora à Comissão de Ética. Se o órgão considerar que existem elementos suficientes, ele instaurará o processo disciplinar, dará início à fase de instrução com a coleta de provas e depoimentos e, posteriormente, elaborará um parecer conclusivo.
Este relatório poderá recomendar desde o arquivamento do caso até a aplicação de sanções, incluindo a expulsão, que então seria submetida à votação do Conselho Deliberativo, conforme estipulado no Estatuto do São Paulo . Até o momento, não houve manifestação pública por parte de Dedé a respeito do caso.
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