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Demissão de Crespo no São Paulo: Diretoria Ignora Realidade do Time?
Por Redação 1Soberano em 09/03/2026 17:30
A decisão de afastar Hernán Crespo do comando técnico do São Paulo, mesmo com o time ocupando uma surpreendente vice-liderança no Campeonato Brasileiro, levanta sérias dúvidas sobre a percepção da diretoria em relação à atual conjuntura. A alegação de que a visão pessimista do treinador sobre as chances da equipe na temporada teria sido um dos motivos para a sua saída sugere uma desconexão com o cenário real do clube.
Em 24 de janeiro, após uma derrota por 3 a 1 para o Palmeiras no Campeonato Paulista, Crespo já indicava uma visão pragmática ao afirmar que "o futuro, o Brasileirão, (são) 45 pontos". Naquele momento, o Tricolor lutava contra o rebaixamento no Estadual, e o clube passava por um período de instabilidade administrativa, com o presidente Júlio Casares enfrentando um processo de impeachment. O turbilhão fora das quatro linhas parecia refletir-se no desempenho em campo.
Expectativas X Realidade no Tricolor Paulista
No entanto, Crespo não teve a oportunidade de atingir a marca de 45 pontos, um patamar frequentemente buscado por equipes em luta contra o descenso no Brasileirão. Sua demissão, ocorrida nesta segunda-feira, em meio a uma boa campanha nacional, aponta para uma diretoria que pode estar superestimando o potencial do elenco atual. Acreditar que o time possa apresentar um rendimento superior ao que vem demonstrando parece um exercício de otimismo desmedido, especialmente considerando o contexto de um clube que, segundo a visão crítica, encontra-se desestruturado e estagnado.
Apesar de não ser um admirador fervoroso do trabalho de Crespo, considerando-o um técnico com limitações, a movimentação da diretoria paulista demonstra um distanciamento da realidade. Em um ambiente de desorganização, o argentino vinha extraindo um desempenho consideravelmente aceitável do grupo de jogadores.
Análise dos Motivos da Demissão
Informações divulgadas pelo ge apontam outros fatores para a dispensa do técnico argentino, incluindo questões relacionadas a escalações, como a escolha por Luan em detrimento de Danielzinho na semifinal do Paulistão contra o Palmeiras. A insatisfação com o trabalho diário de Crespo teria gerado um desgaste progressivo na relação com a diretoria. Contudo, o momento escolhido para a decisão é particularmente surpreendente: após uma semana sem jogos e a poucos dias da próxima partida, e com a eliminação no estadual já consolidada há uma semana, sendo que antes o time havia conquistado cinco vitórias consecutivas.
Trata-se de uma medida arriscada. A mudança de comando inevitavelmente lança o São Paulo em um estado de maior incerteza. Embora isso seja natural em qualquer substituição de treinador, a situação é agravada em clubes que já apresentam instabilidade. Há o temor de que a diretoria tenha interpretado mal o cenário atual, agindo de forma precipitada.
O Verdadeiro Desafio do Tricolor
Em colunas anteriores, foi defendido que a principal luta do São Paulo na temporada seria contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. A argumentação se baseia na premissa de que clubes de grande porte não caem por deficiências técnicas ou táticas isoladas, mas sim por problemas estruturais e administrativos, como demonstrado por exemplos recentes de Cruzeiro e Internacional. A desorganização interna, nesse contexto, tende a ter um impacto mais significativo do que escolhas pontuais de comando técnico.
Diante disso, a saída de um treinador que obteve dez pontos em doze disputados no início do Brasileirão, com atuações convincentes em algumas partidas, como a vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio, torna-se difícil de compreender. Os argumentos apresentados pela diretoria não parecem ser suficientes para justificar tal decisão.
Eder Traskini detalha os pormenores da saída de Hernán Crespo do comando do São Paulo .
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