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Roger Machado Rompe o Silencio sobre Passagem pelo Sao Paulo

Por Redação 1Soberano em 28/08/2026 23:36

O futebol contemporâneo transformou a cobrança sobre os profissionais da comissão técnica e do elenco em um fenômeno de proporções desmedidas. Roger Machado, ex-comandante do São Paulo, identifica um ponto de virada histórico nessa dinâmica durante o período de isolamento social, quando um atleta celebrou um tento exigindo silêncio a uma arquibancada completamente desprovida de público. Para o treinador, a hostilidade e a exigência deixaram de se limitar aos milhares de torcedores presentes nas arquibancadas físicas, pulverizando-se em uma quantidade imensurável de manifestações nas plataformas digitais.

Diante desse cenário de vigilância constante, o técnico adota uma postura metodológica que prioriza o alinhamento de metas individuais, financeiras, ambientais e psicológicas dos esportistas, evitando converter os julgamentos externos em combustível de vestiário. Ainda assim, ele reconhece que já utilizou o descontentamento externo como ferramenta psicológica em momentos pontuais de sua trajetória profissional. "Não é da minha preferência, mas funciona", pondera o comandante.

Essa busca por adequação também se reflete na forma como o treinador se expressa publicamente. Após um pronunciamento que gerou forte repercussão em sua passagem pela capital paulista, Roger compreendeu a necessidade de moldar seu vocabulário ao falar com a torcida. No cotidiano dos treinamentos, contudo, ele mantém uma comunicação codificada com o grupo de atletas e contesta vigorosamente a tese de que os profissionais do campo não possuem capacidade de compreender instruções mais sofisticadas. "Ele precisa de uma, duas semanas de prática para se adaptar", argumenta.

A Rejeicao no MorumBis e a Sombra de Hernan Crespo

A curtíssima trajetória de Roger Machado no comando do São Paulo foi fortemente influenciada por uma conjuntura complexa que antecedeu sua própria chegada. O treinador aponta que a resistência imediata das arquibancadas do MorumBis decorreu de uma somatória de variáveis: a forte ligação afetiva da torcida com o antigo técnico, Hernán Crespo, a expectativa do mercado por contratações de outro perfil, a onda de técnicos estrangeiros no país, sua própria história construída fora do polo central do futebol brasileiro e seu retrospecto em competições estaduais. Essa atmosfera adversa, embora tenha dificultado o estabelecimento de uma base sólida de trabalho, servia como estímulo para buscar a superação dos resultados.

O ambiente político do clube paulista também foi apontado pelo técnico como um elemento que reverbera diretamente no desempenho técnico da equipe. Roger salienta que instabilidades administrativas e disputas de poder fora das quatro linhas inevitavelmente cobram seu preço no rendimento dos atletas em campo, tornando o cenário ainda mais desafiador para a comissão técnica.

Variável Analisada Impacto no Trabalho de Roger Machado
Tempo de permanência Apenas dois meses de trabalho no MorumBis
Contexto político Instabilidade interna com reflexos diretos no gramado
Fatores de resistência Sombra do antecessor Hernán Crespo e preferência por estrangeiros

O Diagnostico de uma Demissao Precoce

A permanência de apenas dois meses no São Paulo é classificada por Roger Machado como a experiência mais veloz e de maior desgaste psicológico de sua carreira profissional. O treinador manifesta profunda insatisfação com o desfecho abrupto e enfatiza que o período concedido pela diretoria inviabilizou qualquer tipo de diagnóstico sério ou consolidação tática. "É impossível você conseguir avaliar, ou mesmo implementar um trabalho em um espaço tão curto de tempo", dispara o técnico, que embora admita que o time apresentava margem para crescimento, lamenta a velocidade com que as decisões são tomadas no ambiente esportivo nacional.

Atualmente, decorridos três meses desde sua destituição do cargo, o profissional de 51 anos desfruta de um período de reclusão em sua residência na capital gaúcha. Em Porto Alegre, ele estruturou um ambiente multifuncional que abriga sua biblioteca particular, aparelhos de condicionamento físico, uma adega e a estrutura tecnológica necessária para acompanhar a rodada do futebol nacional, buscando recarregar as energias após a turbulência vivida no MorumBis.

Transformacoes Estruturais e as Memorias de Carreira

Ao analisar o panorama do futebol em seu estado natal, Roger Machado identifica um declínio técnico recente associado à transformação financeira global da modalidade. A ascensão das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), impulsionadas por aportes financeiros internacionais, criou um abismo competitivo. Na visão do treinador, as agremiações tradicionais que optarem por não realizar essa transição societária precisarão atingir níveis de excelência administrativa extremos para fazer frente aos novos concorrentes de mercado.

Sobre a própria trajetória, Roger relembra passagens marcantes e por vezes dolorosas, como a eliminação na decisão por pênaltis comandando o Novo Hamburgo diante do Grêmio, ocasião em que seu principal cobrador falhou no momento decisivo. Ele recorda também a emblemática conquista da Copa Libertadores da América em 1995 pelo Tricolor Gaúcho. Naquela oportunidade, a equipe construiu uma vantagem de três gols contra o Atlético Nacional, mas acabou sofrendo um gol aos 40 minutos da etapa complementar, um sofrimento que ficou registrado na histórica fotografia oficial do título, onde o ex-defensor aparece posicionado na segunda fileira do elenco campeão.

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