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Ruan Tressoldi processa São Paulo por negligência médica: veja valores

Por Redação 1Soberano em 18/08/2026 10:10

O São Paulo enfrenta um grave litígio nos tribunais trabalhistas que expõe as entranhas de seu departamento médico. O zagueiro Ruan Tressoldi, que defendeu as cores do clube entre janeiro e junho de 2025, ingressou com uma ação judicial cobrando uma quantia aproximada de R$ 13,7 milhões. A acusação central gira em torno de uma suposta negligência no tratamento de uma lesão no joelho direito, além do descumprimento de obrigações contratuais básicas por parte da diretoria tricolor.

A petição detalha uma série de falhas graves na gestão de saúde do atleta. Segundo a defesa de Tressoldi, o clube do Morumbi não contratou o seguro de vida e acidentes obrigatório para desportistas, escalou o defensor mesmo sob queixas de dores intensas e aplicou terapias consideradas experimentais pelos órgãos reguladores na ocasião. O caso, que tem sua primeira audiência de conciliação agendada para hoje, promete desdobramentos complexos para a reputação do departamento de saúde do clube.

Valores detalhados do processo de Ruan Tressoldi contra o São Paulo

Para além das discussões clínicas, a disputa financeira é expressiva. O montante total exigido pelo zagueiro engloba desde indenizações por danos morais até a restituição de valores gastos de forma particular para a realização de sua cirurgia. A seguir, veja a discriminação dos valores pleiteados pelo jogador na petição inicial:

Categoria da Cobrança Valor Reivindicado
Indenização pela ausência de seguro obrigatório R$ 6.000.000,00
Reparação por danos morais R$ 4.500.000,00
Honorários advocatícios da ação R$ 1.800.000,00
Direitos de imagem não pagos R$ 540.000,00
Multas contratuais R$ 450.000,00
Verbas rescisórias em aberto R$ 420.000,00
Reembolso de despesas com saúde R$ 26.400,00

A defesa do atleta aponta que, durante o período de inatividade e tratamento inadequado, o São Paulo acumulou três meses de atraso no pagamento dos direitos de imagem. No momento do encerramento do vínculo, o clube efetuou o pagamento de R$ 444 mil referentes à rescisão formal do contrato de trabalho, valor considerado insuficiente diante dos prejuízos alegados pelo defensor.

Impasses contratuais e cirurgia paga no cartão de crédito

A cronologia apresentada à Justiça aponta que os problemas físicos de Ruan começaram no dia 11 de maio de 2025, durante um clássico contra o Palmeiras. O jogador afirma ter relatado fortes dores no joelho, mas recebeu instruções para permanecer em campo. Posteriormente, no dia 14 de maio, foi escalado para enfrentar o Libertad sem passar por exames preventivos. Apenas no dia 15 de maio uma ressonância magnética detectou lesão meniscal, edema e tendinopatia patelar. Mesmo com o diagnóstico em mãos, o atleta foi escalado para enfrentar o Náutico no dia 20 do mesmo mês.

Paralelamente ao agravamento clínico, iniciou-se um conflito burocrático. O São Paulo suspendeu os repasses financeiros ao Sassuolo, da Itália, detentor dos direitos do atleta, referentes ao empréstimo. Embora o clube paulista alegue ter tentado negociar a compra definitiva do jogador sem sucesso, a instabilidade travou a definição do procedimento cirúrgico. Ruan relata que foi submetido à aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) sem o devido esclarecimento prévio, técnica que até julho de 2026 era tratada como experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

O desfecho de sua passagem pelo Morumbi ocorreu de forma melancólica. Sem que o São Paulo ou o Sassuolo assumissem os custos da cirurgia necessária, e após descobrir que o clube brasileiro não havia contratado a apólice de seguro obrigatória, Ruan foi dispensado no fim do contrato, em 30 de junho de 2025, sem operar. A intervenção cirúrgica só ocorreu em 8 de julho, custeada pelo próprio bolso do atleta, que parcelou o valor em quatro vezes no cartão de crédito.

A defesa do São Paulo e o cenário do departamento médico

O São Paulo nega veementemente qualquer conduta desidiosa ou falta de assistência ao atleta. Nos autos do processo, a diretoria jurídica do clube afirma que Ruan recebeu atenção integral de médicos e fisioterapeutas, contando com exames periódicos e consultas com especialistas renomados. O clube argumenta que não houve negligência e que as decisões clínicas visavam o pronto restabelecimento do profissional.

A contestação do clube baseia-se no fato de que o jogador usufruía de um plano de saúde de categoria máxima, com ampla cobertura no Hospital Albert Einstein, sendo esta estrutura "apta a custear os procedimentos necessários ao seu tratamento e bem-estar, inexistindo qualquer negativa de assistência que possa ser imputada ao SPFC". A instituição reitera que todas as obrigações financeiras da rescisão contratual foram liquidadas em total conformidade com a legislação vigente.

No entanto, a contestação judicial surge em um momento delicado para a imagem do clube. Durante a temporada de 2025, o São Paulo conviveu com um volume anormal de atletas sob cuidados médicos, registrando 65 casos de lesões ao longo do ano. O departamento médico enfrentou severas divergências internas de metodologia e comando, especialmente no segundo semestre, o que adiciona um tom de desgaste institucional a um debate que agora será decidido nos tribunais.

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