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São Paulo Implementa Novas Regras Internas e Fortalece Compliance Após Caso de Camarote
Por Redação 1Soberano em 10/02/2026 05:51
O Tricolor Paulista inicia nesta terça-feira um processo de aprimoramento em seu departamento de Compliance, em resposta à atual conjuntura institucional do clube. Conforme apurado, não haverá substituição de profissionais na área. A intenção é resgatar e efetivar diretrizes internas que anteriormente não prosperaram por carência de suporte.
A iniciativa visa estabelecer normas claras de comportamento, aprimorar os controles internos e implementar salvaguardas para prevenir futuras adversidades administrativas. O objetivo central é a padronização de procedimentos e a mitigação de riscos de irregularidades.
Fortalecimento das Normas Internas no Tricolor
Entre as ações planejadas, destacam-se a regulamentação de temas corriqueiros no cotidiano do clube, como a cessão de espaços (incluindo o episódio dos camarotes), a utilização de veículos corporativos e outros trâmites administrativos. Este esforço será conduzido internamente, envolvendo os colaboradores do São Paulo, mas também se estenderá a parceiros externos, como patrocinadores, empresas do mercado e membros da imprensa.
A percepção interna é que este processo deveria ter sido iniciado em momento anterior, mas sua implementação a partir de agora visa coibir a repetição de situações semelhantes no futuro.
O Caso Shakira e os Afastamentos
A controvérsia veio à tona com a divulgação de um áudio, obtido pelo ge, no qual Douglas Schwartzmann, diretor adjunto da base, dialoga com Mara Casares ? ex-esposa do presidente Julio Casares e então diretora feminina, cultural e de eventos do clube ? a respeito da comercialização de ingressos para um camarote do show da cantora Shakira, realizado em fevereiro. Ambos foram afastados de suas respectivas funções.
No conteúdo do áudio, Schwartzmann admite que a operação teria ocorrido de maneira oculta, menciona que Márcio Carlomagno ? superintendente geral do clube no CT da Barra Funda, considerado internamente o "braço direito" de Julio Casares e uma figura influente na política interna para a eleição presidencial de 2026 ? tinha conhecimento dos fatos, e expressa apreensão quanto a possíveis retaliações e desgastes políticos no âmbito do clube.
Detalhes da Comercialização e Implicações Judiciais
O camarote em questão, identificado como 3A, situado no setor leste do estádio e registrado nos sistemas internos como "sala da presidência", teria sido cedido a Mara Casares por Márcio Carlomagno para exploração comercial durante o evento. A responsabilidade pela venda dos ingressos recaiu sobre Rita de Cássia Adriana Prado, que teria obtido um montante aproximado de R$ 132 mil, com ingressos comercializados a preços que alcançavam R$ 2.100.
A situação escalou para a esfera judicial quando Rita de Cássia acionou uma empresa parceira, alegando apropriação indevida de ingressos sem o devido pagamento. Após o registro de Boletim de Ocorrência e a instauração de um processo, Douglas Schwartzmann e Mara Casares teriam exercido pressão sobre ela para que retirasse a ação.
Investigações e Denúncias Contra a Gestão
Toda essa turbulência política culminou no início do processo de impeachment contra Julio Casares, que solicitou sua renúncia do cargo de presidente do clube no mês passado. A gestão de Julio Casares e o próprio presidente enfrentam outras alegações.
A Polícia Civil, em colaboração com uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo , conduz um inquérito criminal que apura possíveis desvios de fundos do clube por parte de dirigentes. Paralelamente, um outro braço do MP-SP instaurou um inquérito civil para investigar responsabilidades financeiras e potenciais indenizações por danos causados ao clube.
Fatos Investigados Criminalmente e Civilmente
Dentre os fatos sob investigação criminal, incluem-se o recebimento, por Julio Casares, de R$ 1,5 milhão em dinheiro, através de depósitos fracionados; o saque de R$ 11 milhões em espécie do caixa do clube; o aumento patrimonial repentino de dirigentes e o escândalo da venda de camarotes clandestinos envolvendo Mara Casares e Douglas Schwartzmann.
O inquérito civil aborda os supostos desvios, mas também explora outras vertentes, como acusações de gestão temerária, a prescrição de medicamentos para atletas e o modelo de negócio do fundo de investimentos da parceira Galapágos Capital em Cotia. O MP expediu ofícios para ouvir mais de 25 indivíduos, tanto dentro quanto fora do clube, incluindo o ex-superintendente-geral Márcio Carlomagno e o ex-coordenador técnico Muricy Ramalho.
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