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Contas do São Paulo: R$ 7 milhões da gestão Casares com destino incerto

Por Redação 1Soberano em 25/03/2026 23:05

A recente reunião do Conselho Deliberativo do São Paulo, realizada na noite de quarta-feira (25), trouxe à tona questionamentos relevantes sobre o balanço financeiro referente ao exercício de 2025, o último período sob a administração de Julio Casares. Um dos pontos que capturou a atenção dos presentes foi a ausência de comprovação para uma parcela significativa de retiradas efetuadas das contas do clube.

O departamento financeiro do Tricolor apresentou dados que indicam saques totalizando R$ 11 milhões, direcionados à antiga presidência. Destes, apenas R$ 4 milhões foram devidamente justificados, englobando despesas específicas como pagamentos em espécie a árbitros e premiações para os atletas. A quantia restante, que soma aproximadamente R$ 6,95 milhões, foi categorizada de forma genérica como "fundo promocional da presidência", sem a apresentação de detalhes sobre a sua aplicação ou documentação que pudesse comprovar o uso dos recursos.

Investigação Policial e Auditoria em Destaque

É importante notar que esses saques de R$ 11 milhões já são objeto de um inquérito policial, como foi divulgado em janeiro. A investigação também aponta para o recebimento de cerca de R$ 1,5 milhão em dinheiro na conta pessoal do ex-presidente Julio Casares, embora não haja uma conexão direta estabelecida entre esses recebimentos e os saques questionados.

A ressalva sobre a falta de justificativa para os saques foi destacada em uma auditoria independente das contas do clube. O relatório da auditoria aponta: "Conforme descrito na nota explicativa número 26, durante o exercício corrente e em exercícios anteriores foram efetuados saques em contas bancárias do SPFC cuja natureza e finalidade e documentação de suporte não estavam integralmente disponíveis para exame no curso de nossos trabalhos. Não nos foi possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente que corroborasse parte desses saques, em razão da ausência de documentos comprobatórios que permitissem validar a efetiva destinação dos recursos".

Contas do São Paulo: R$ 7 milhões da gestão Casares com destino incerto
Foto: (Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Posicionamento do Clube e dos Envolvidos

Conselheiros presentes na reunião relataram que o diretor financeiro do São Paulo , Sérgio Pimenta, admitiu não ter informações precisas sobre o destino dos valores sacados. A ausência de uma transcrição oficial da reunião dificulta a validação documental dessas declarações.

O ex-presidente Julio Casares foi contatado pela reportagem e solicitou um prazo para analisar o conteúdo discutido, visto que não esteve presente na reunião. O São Paulo FC, até o momento, não emitiu um pronunciamento oficial sobre o assunto. Sérgio Pimenta, diretor financeiro, também foi procurado para comentar o caso.

Recomendação de Rejeição das Contas e Movimentação Política

Em um documento formal enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, e ao presidente do Conselho Fiscal, Pedro Sansão, o conselheiro e membro efetivo do Conselho Fiscal, Paulo Faria, recomendou a rejeição das contas de 2025. A justificativa central para essa recomendação reside na ressalva grave apontada pela auditoria independente, especificamente a impossibilidade de comprovar a destinação de parte significativa dos saques realizados.

O conselheiro Paulo Faria argumenta em seu parecer: "A ressalva apresentada pela Auditoria na página 2 do seu parecer que atesta a impossibilidade de corroborar a devida contabilização de saques ocorridos na conta bancária da instituição (em 2025 e em anos anteriores), em face da ausência de documentos comprobatórios que permitissem validar a efetiva destinação dos recursos, é contundente e não deixa margem para opinar pela aprovação das contas de 2025".

Essa ressalva, localizada logo no início do relatório da auditoria, contraria a posição defendida pelo Conselho de Administração, que afirma que as demonstrações financeiras retratam adequadamente a situação financeira do clube. Diante desse cenário, grupos políticos dentro do São Paulo têm se articulado. O grupo Legião Tricolor, por exemplo, encaminhou um documento ao presidente do Conselho Deliberativo solicitando que, caso o balanço de 2025 seja aprovado, isso ocorra com ressalvas formais registradas em ata. A medida visa resguardar o clube e os próprios conselheiros, dada a impossibilidade de comprovação documental e a necessidade de preservar a responsabilidade futura dos gestores. O grupo também exige que a Diretoria Executiva apresente esclarecimentos detalhados sobre a destinação dos recursos em até 30 dias.

O documento da Legião Tricolor enfatiza que uma aprovação sem ressalvas poderia ser interpretada como uma quitação plena dos atos da gestão, o que consideram inadequado diante das observações da auditoria e do Conselho Fiscal. Paralelamente, o grupo Participação também deve formalizar um documento ao presidente do Conselho, reforçando a movimentação política em torno da questão. Reuniões entre grupos políticos relevantes do clube foram agendadas para a noite de quarta-feira, após o encerramento do Conselho, a fim de discutir os desdobramentos da apresentação do balanço e alinhar as estratégias.

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