- 1Soberano
- Craques da Copinha: De Rogério Ceni a Ryan Francisco
Craques da Copinha: De Rogério Ceni a Ryan Francisco
Por Redação 1Soberano em 02/01/2026 05:10
O início de cada temporada no futebol brasileiro é marcado por um rito de passagem obrigatório: a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Para além do entretenimento em um período de escassez de jogos profissionais, a competição se consolida como o principal vestibular para jovens que almejam o estrelato. O torneio não apenas preenche o calendário, mas expõe ao escrutínio técnico aqueles que podem carregar o futuro dos grandes clubes nas costas.
A história da Copinha é pavimentada por trajetórias que hoje habitam o imaginário do torcedor. Um dos casos mais emblemáticos de precocidade e talento foi Dener. Na edição de 1991, o meia-atacante da Portuguesa desequilibrou o certame com dribles desconcertantes, conduzindo a Lusa ao título e tornando-se, para muitos especialistas, o maior símbolo técnico que já passou pelo torneio. Sua carreira, que incluiu passagens por Grêmio e Vasco, foi tragicamente interrompida em 1994, mas seu legado na base permanece intocável.
Outro exemplo de impacto imediato veio de Minas Gerais em 2003. Fred, que viria a ser um dos maiores artilheiros da história do Fluminense e centroavante de Copa do Mundo, utilizou a Copinha para mudar seu status no América-MG. Antes visto com desconfiança, ele precisou de apenas 3,17 segundos para anotar um gol do meio de campo, um dos mais rápidos do futebol mundial. O feito foi o estopim para sua promoção definitiva aos profissionais, onde iniciou uma trajetória de sucesso incontestável.
Ídolos do São Paulo e a transição para o topo
No MorumBIS, a mística da Copinha está intrinsecamente ligada ao maior ídolo da instituição. Rogério Ceni não apenas participou, mas foi peça fundamental na conquista do primeiro título do São Paulo na competição, em 1993. O desempenho seguro debaixo das traves acelerou sua integração ao elenco principal naquele mesmo ano. O que se seguiu foi uma das carreiras mais vitoriosas e longevas do esporte, provando que a base bem aproveitada é o alicerce de conquistas globais.
Mais recentemente, o torcedor são-paulino depositou suas esperanças em Ryan Francisco. Em 2025, o jovem atacante foi o protagonista absoluto do pentacampeonato tricolor, balançando as redes 10 vezes em apenas oito exibições. Entretanto, o futebol impõe obstáculos severos; o promissor início entre os profissionais foi freado por uma grave lesão ligamentar no joelho, evidenciando a fragilidade física e a pressão que cercam a transição para o alto rendimento.
Abaixo, apresentamos alguns dos nomes que utilizaram a Copa São Paulo como vitrine antes de alcançarem o reconhecimento internacional:
| Atleta | Clube de Origem | Ano de Destaque |
|---|---|---|
| Dener | Portuguesa | 1991 |
| Rogério Ceni | São Paulo | 1993 |
| Fred | América-MG | 2003 |
| Neymar | Santos | 2009 |
| Vinícius Júnior | Flamengo | 2017 |
| Ryan Francisco | São Paulo | 2025 |
O brilho de futuras estrelas mundiais nos gramados da base
O mercado europeu também colhe os frutos observados na Copinha. Gabriel Martinelli é um caso atípico de ascensão meteórica. Em 2019, defendendo o Ituano, o atacante marcou seis gols em quatro partidas. Mesmo com a queda precoce do time de Itu, seu desempenho foi suficiente para que o Arsenal, da Inglaterra, o contratasse diretamente, sem que ele sequer disputasse a elite do Campeonato Brasileiro. Um salto raro que demonstra o nível de observação internacional sobre o torneio.
Neymar e Vinícius Júnior também utilizam a Copinha como seus cartões de visita. O astro santista teve sua despedida das categorias de base em 2009, após marcar três gols e chegar às oitavas de final, sendo imediatamente alçado ao time principal. Já Vinícius Júnior, em 2017, encantou o país com a camisa do Flamengo. Suas atuações foram tão contundentes que a torcida rubro-negra exigiu sua promoção aos 16 anos, consolidada pelo técnico Zé Ricardo logo após o término do torneio.
Por fim, nomes como Lucas Paquetá, campeão em 2016 pelo Flamengo, e a dupla Luizão e Amoroso, que brilhou no título do Guarani em 1994, reforçam a tese de que a Copinha é o termômetro real do talento brasileiro. Para os jovens que entram em campo neste mês de janeiro, o desafio vai além das vitórias: trata-se de provar que possuem a resiliência necessária para transformar o brilho efêmero da base em uma carreira sólida e incontestável no futebol profissional.
Curtiu esse post?
Participe e suba no rank de membros