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Lucas Moura sobre Gramado Sintético: Prefiro Não Jogar, Argumenta Contra Tecnologia

Por Redação 1Soberano em 14/02/2026 15:01

A divergência sobre a qualidade dos gramados no futebol profissional ganhou força na última semana, com Neymar à frente de um grupo de jogadores que expressou descontentamento com os pisos artificiais. Após a recente derrota do São Paulo para a Ponte Preta, pelo placar de 2 a 1, Lucas Moura compartilhou suas impressões em um extenso desabafo, abordando a questão que divide opiniões.

O Movimento Contra o Gramado Sintético

O camisa 7 do Tricolor Paulista, peça fundamental no movimento de protesto, trouxe à tona os bastidores de uma conversa significativa com Thiago Silva e Neymar sobre a utilização de gramados sintéticos. Atualmente, equipes como Palmeiras, Botafogo e Atlético-MG optam por este tipo de piso em seus estádios.

"Sobre o gramado sintético, é um assunto que eu já bati na tecla no ano passado, dei algumas entrevistas falando do meu posicionamento. E depois da chegada do Thiago Silva e agora do Neymar, que eles também se posicionaram contra o sintético, eu conversei com eles, resolvemos criar esse movimento, entramos em contato com jogadores de outras equipes e espalhamos nas nossas equipes e muita gente aderiu. Para deixar bem claro, o nosso posicionamento não é ataque contra nenhum time que tem gramado sintético, contra nenhuma instituição e nenhuma empresa que produz a grama sintética. A nossa reclamação é totalmente técnica".

Lucas Moura reiterou que as preocupações levantadas pelos atletas não se referem a riscos de lesão, mas sim a aspectos estritamente técnicos que alteram a natureza do esporte. Ele traçou um paralelo com outras modalidades, como o futsal e o futebol de areia, enfatizando que o futebol de campo possui dinâmicas e jogabilidade próprias que são significativamente impactadas pelo tipo de gramado.

Gramado Natural de Qualidade: O Ponto Central da Discussão

"Ouvi gente falando de risco de lesão, em nenhum momento falamos sobre isso, o nosso ponto é totalmente técnico. É outro esporte. Existe o futsal, que eu sou apaixonado, existe o futebol de areia, que é muito legal, o fut7, que é muito legal, e existe o futebol de campo, que é o que a gente pratica. E são esportes completamente diferentes, a jogabilidade, a dinâmica, são totalmente diferentes. O nosso ponto é técnico, jogar no sintético, no gramado natural, é totalmente diferente. E por mais que tenha gramado sintético de altíssima qualidade, hoje a tecnologia está absurda, nunca vai ser igual ao gramado natural. Esse é o nosso ponto".

O jogador também abordou a crítica de que o movimento não se manifesta contra os gramados naturais em más condições, ressaltando que a busca é justamente pela elevação da qualidade do piso natural em todo o país. Para Lucas, a solução para a deficiência de gramados naturais de qualidade não reside na adoção do sintético, mas sim em investimentos diretos para a sua melhoria.

A expectativa é que a mobilização gere resultados tangíveis, evitando que o gramado sintético se torne a norma no futebol brasileiro. A preocupação é que a perda da identidade do esporte seja acelerada, comprometendo a qualidade e a referência que o futebol nacional deveria ter, especialmente considerando o talento dos jogadores que produz.

A Preferência por Não Atuar em Pisos Artificiais

"Segunda coisa, eu vi também gente falando que a gente não criticou o gramado natural ruim, que tem bastante no Brasil. O nosso ponto é esse, precisamos ter gramado natural de qualidade, e para resolver esse problema não é com o sintético, não podemos tapar o sol com a peneira, é ter gramado natural de qualidade. Ter o mínimo de todo mundo para que tenha gramado natural de qualidade. Pelo menos na Série A, Série B, a gente ter gramado natural de qualidade, talvez para a Série C, séries mais baixas, que os investimentos são menores, talvez, aí sim liberar o sintético, a gente até entende. Mas com a força e tamanho que tem o nosso futebol, a gente tem que ter um gramado natural minimamente com uma qualidade boa para a gente poder jogar. Nas maiores ligas você vê que não se usa sintético. Aqui no Brasil a gente não pode permitir isso. Essa foi a nossa briga, esse foi o nosso movimento, um ponto totalmente técnico, que muda totalmente a qualidade do jogo", completou.

Lucas Moura reiterou seu posicionamento, afirmando que, se fosse por sua decisão, evitaria atuar em gramados sintéticos. Contudo, reconhece a obrigação contratual e a importância das partidas, o que o força a entrar em campo. Ele declarou que, em situações onde pudesse escolher, optaria por não jogar nesses pisos.

"Essa é a nossa briga, para que se tenha gramado natural bom. É para acabar com esse debate, não é nem assunto polêmico, é um assunto interessante, que vale o debate. Acho que os jogadores tinham que ser mais unidos, por isso criamos esse movimento".

"Eu jogo em um gramado sintético, eu tenho evitar ao máximo que que eu puder, mas é óbvio que às vezes é clássico, um jogo decisivo, eu tenho que entrar em campo, eu tenho contrato, eu vou brigar pelo meu clube. Se eu puder evitar, se eu puder conversar com a comissão, eu prefiro não jogar. Pode perguntar para qualquer jogador, ex-jogador, para qualquer um que joga futebol, sabe da diferença. Vimos torcedores falando que é frescura da nossa parte, não. Não é à toa que as maiores ligas não usam, vários jogadores falaram que não jogam, que é totalmente diferente".

"O nosso futebol, o tamanho do nosso futebol, não pode permitir um gramado sintético. A gente criou esse movimento, espero que dê resultado, faça alguma diferença, porque senão todos os gramados serão sintéticos e onde vamos parar? Se a gente quer ser protagonista, tem que ser referência com a qualidade que temos de jogadores, com tantos jogadores que a gente produz, não podemos permitir que o gramado sintético vire normal no nosso futebol, principalmente na Série A", finalizou.

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