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Roger Machado e o "Tatiquês": Por que o Torcedor Tricolor Não Entende o Jogo
Por Redação 1Soberano em 23/03/2026 12:47
A recente derrota do São Paulo para o Palmeiras, testemunhada por mais de 54 mil apaixonados torcedores no Morumbis, gerou repercussão para além do placar. Um trecho da coletiva pós-partida do técnico Roger Machado, ao tentar detalhar o gol sofrido, acabou viralizando nas redes sociais, expondo uma barreira de comunicação entre o treinador e sua torcida.
Em sua explanação, Machado empregou termos técnicos específicos do universo tático do futebol, o chamado 'tatiquês'. Ele declarou: "A nossa subida de pressão ali obedeceu à regra do gatilho da bola rodada para trás, mas ali houve pouca pressão na bola, e a bola inverteu de corredor. Em qualquer time que pega, ainda mais com um canhoto de pé contrário, que não tem uma marcação justa, a bola foi invertida, e houve uma dobra de corredor. Na verdade, nós até estávamos com a dobra, mas chegamos mais atrasados, e, nas características do Arias, ele trouxe para dentro e finalizou. Naquele momento, foi justamente a tentativa de pressionar, jogando em casa, numa iniciativa, num gatilho de pressão de bola para trás, que a pressão vazou. Essa foi uma pressão que iniciou bem sucedida, mas nós permitimos que o adversário saísse num espaço muito pequeno, em vez de fazermos com que o adversário continuasse pressionado do lado da bola".
A Explicação Simplificada do Lance
Em termos mais acessíveis, o que Roger Machado buscou transmitir é que a estratégia de marcação planejada pela comissão técnica para conter o ataque do Palmeiras não surtiu o efeito desejado. A pressão exercida pelo time não foi eficaz, resultando em espaços que permitiram que a bola chegasse aos pés de Flaco López. A intenção era forçar o atacante argentino a usar a perna direita, menos dominante, contudo, ele encontrou liberdade para utilizar a perna esquerda, possibilitando o passe para Arias. A movimentação defensiva, que deveria ter mantido o adversário na linha de fundo, acabou por atrair Arias para o centro do campo, abrindo espaço para o chute que resultou no gol palmeirense.
A Coletiva Pós-Jogo: Um Canal para o Torcedor
O fato de um segmento da fala do técnico ter se tornado viral levanta uma questão fundamental sobre o propósito da coletiva de imprensa. Na minha perspectiva, a entrevista coletiva após um jogo deve servir primariamente ao torcedor. Este é o público-alvo principal, aquele que busca respostas para as dúvidas que o desempenho em campo não esclareceu. Portanto, a comunicação empregada deve ser cuidadosamente adaptada para que a mensagem seja efetivamente compreendida por quem ama o clube.
O chamado 'torcedor comum' dedica parte de seu tempo ao futebol, acompanha as partidas e, ocasionalmente, as coletivas por pura paixão e pelo desejo de entender os motivos por trás de uma vitória ou derrota. Este torcedor não possui a obrigação de decifrar o significado de conceitos como a "regra do gatilho da bola rodada para trás". Ao fazer uso excessivo de jargões técnicos e acadêmicos, Roger Machado acaba por alienar a vasta maioria de sua audiência, transformando uma explicação que poderia ser direta sobre o que ocorreu em campo em um distanciamento desnecessário com a torcida.
A Distância Criada pelo "Tatiquês"
É inegável que o debate esportivo precisa evoluir e que a discussão deve se concentrar mais nos aspectos técnicos e táticos do jogo do que em fatores externos. No entanto, o 'tatiquês' não representa um avanço, mas sim um distanciamento. A lição para Roger Machado e para todos os que se dedicam ao estudo do futebol é a necessidade de se adaptar à simplicidade: a base de torcedores não é composta por um exército de analistas de desempenho, mas sim por indivíduos apaixonados que anseiam por uma comunicação clara e direta.
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